terça-feira, 22 de março de 2011

Le Royal Monceau Hotel: o glamour ainda vem de Paris

Paris é sinónimo de elegância, luxo e muito charme. Cidade da Torre Effiel, do Louvre e das prestigiadas e caras marcas de roupa. Hotéis de cortar a respiração também não faltam. E desde Junho de 2010 o recém-remodelado Royal Monceau veio trazer mais glamour à cidade-luz. Um hotel de cinco estrelas, que combina originalidade, arte e design por entre objectos de decoração clássica e contemporânea - e com Philippe Starck como mestre de cerimónias.

le royal monceau hotel paris

Localizado apenas a cinco minutos a pé do Arco do Triunfo e dos Campos Elísios, o hotel Royal Monceau foi projectado pelo arquitecto Louis Duhayon e inaugurado em 1928. A sua “nova cara” data já de 2008.
Foi celebrada uma “demoliton party” (festa da demolição) que marcou o arranque das obras. Não sobrou pedra sobre pedra do antigo hotel. Durante dois anos e com um custo de mais de 100 milhões de euros, o designer Philippe Starck ficou encarregue de transformar por completo toda a decoração. O extraordinário resultado começa logo pela entrada. Espaçosa, clássica e muito elegante. Em tons de vermelho e branco, iluminada por diversos candeeiros. Os porteiros que nos recebem fazem jus à mesma: estão todos elegantemente vestidos, très chic (diriam os parisienses).

le royal monceau hotel paris

Os 150 quartos, dos quais 54 suites, são inspirados nas décadas de 40 e 50 e decorados com obras de arte e móveis desenhados por Starck. Há um toque de rock and roll em muitos deles, com direito a guitarra e um estúdio de gravação portátil próprio.
A melhor de todas as suites encontra-se no último piso: um ático com um quarto, sala e casa-de-banho. A cama do quarto, grande e confortável, tem lençóis brancos italianos. Na sala podemos usufruir do serviço de 24 horas do hotel para provar os croissants, as frutas, os biscoitos ou os famosos macarrons disponíveis. A casa-de-banho é um autêntico “banho de luz”. Branca e revestida de espelhos por todos os lados, talvez se possa pensar que acabamos de entrar numa loja de diamantes. E no quarto também existe um outro espelho: encostado à parede, como se de um quadro se tratasse, é capaz de se transformar numa televisão através de um comando remoto.
O hotel é um ponto de encontro entre todos os tipos de arte. Possui a sua própria galeria, a “Art District”, que abriu com vários trabalhos do artista Jean- Michel Basquiat, pertencentes à colecção Enrico Navarra. Tem também uma livraria e um blogue, o “Artforbreakfast”. Quanto ao cinema, existe uma sala reservada para 100 hóspedes.
E na culinária pode optar por dois restaurantes, o “La Cuisine” e o “Il Carpaccio”. No primeiro, são servidas refeições variadas confeccionadas pelo próprio chef do Royal Manceau e as sobremesas têm a assinatura de Pierre Hermé, mais conhecido como o “pai” dos macarrons. O segundo é dedicado à cozinha italiana. Para relaxar a meio da tarde e beber um chá, basta ir até ao “Le Gran Salon”. Mas se lhe estava mesmo a apetecer uma massagem para acompanhar, não hesite. Existe um spa que espera a sua visita.
Aqui, é normal encontrar actores, directores, cantores ou modelos como vizinhos de porta. Se estiver disposto a pagar cerca de 800 euros por noite, então desejamos-lhe uma boa estadia.

le royal monceau hotel paris
le royal monceau hotel paris
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Nem tudo o que flutua é um Ark Hotel

Nem tudo o que flutua é um hotel. Pois bem: neste caso, é. Não um barco de cruzeiro, não um iate de um qualquer milionário. Aqui agarramos o touro pelos cornos e passamos a habitar a superfície das águas invasoras. O Ark Hotel transforma a arca da salvação das espécies num elegante bio-hotel, onde até Noé é um passageiro VIP.

ark hotel barco

Não vale a pena dizer «Não posso crer!» que o nível do mar está a subir. Se o nível do mar está a subir, logo menos espaço terrestre nos sobra – aos incautos humanos e às cândidas outras criaturas. Ora, numa espreitadela futurista saltamos sobre o invasor e passamos a habitá-lo. Fiquem a conhecer por dentro e por fora le nouvel Ark Hotel.
A arquitectura deparou-se com um periclitante novo paradigma. O mundo hoje não suporta mais repentinas ventanias e está cada vez mais semelhante a um castelo de cartas. Os tempos idos comprovam ciclos naturais marcados por apoteóticas catástrofes e, alegam uns e comprovam as estatísticas da frequência de calamidades, um novo ciclo está iminente.
Concordemos que de tempos a tempos todo o ser inteligente se livra das impurezas e que o dilúvio bíblico não é o único relato de um duche planetário. Hoje em dia, o ser humano detém a tecnologia suficiente para, pelo menos, adiar este exorcismo. Podemos parar de fazer comichão e sermos nós próprios a purificar, a enxugar, o planeta. Está na altura de reunir esforços para um futuro mais estável. Ou não. E é da fria Rússia que chega o protótipo flutuante – o Sputnik dos hotéis.

ark hotel barco
ark hotel barco

A Rússia nunca desejou manter uma paz fingida e já ninguém tem paciência para birras bélicas. É precisamente desta neve que chega o calor do futuro, da preservação da espécie humana – sem fronteiras, sem selecção, sem geopolitik. É um projecto aberto ao mundo, open source, onde cabemos todos, sem a artificialidade selectiva de um perecido Noé, ou pseudo-conspirações hollywoodescas 21/12/2012. É hoje, na Rússia, que nasce o Ark Hotel.
Imerso nesta tomada de consciência, o escritório de arquitectura Remistudio desenvolveu, dentro no âmbito do programa Architecture for Disaster Relief, o conceito de um hotel flutuante, com uma bela e extravagante estrutura em forma de arco e uma parte inferior semelhante ao casco de um navio, aguentando marés fortes e desastres “naturais” (vamos jogar ao jogo vamos-enumerar-recordações-de-catástrofe-naturais a ver se isto faz sentido).

ark hotel barco
ark hotel barco
ark hotel barco

A arquitectura deste hotel permite a sua construção na água ou em terra firme. Quando em terra firme, o Ark Hotel pode ser utilizado em zonas de grande incidência de terramotos, porque o seu esqueleto de cabos de aço e arcos de madeira comprimidos permite que a energia do terramoto seja distribuída por todo o corpo do edifício. O Ark Hotel ergue-se a cerca de 30 metros de altura.
Uma eco-construção de tal estatura foi pensada como um conjunto de etapas sequenciais. Uma unidade de transformação de energia térmica em energia eléctrica é o suporte central energético de onde toda a disposição recebe a energia necessária. Segue-se a montagem da coluna vertebral, feita de arcos de madeira e cabos de aço comprimido, e de seguida a cobertura, transparente como convém à maximização da penetração da luz natural - 3200 metros quadrados de área cobertos por uma película mais leve que o vidro, o etileno tetrafluoretileno. O Ark Hotel é uma bonita estrutura, em forma de concha.
O edifício é retro-alimentado com um sistema de reutilização de água da chuva e placas fotovoltaicas instaladas na cobertura. É claro, isto é um hotel – tem quartos, distribuídos em quatro andares. Quando se acorda de manhã e se sai de sonhos levemente ondulantes para o pequeno-almoço atravessa-se o jardim interno – uma biosfera tipo estufa –, povoado por uma flora luxuriante e animais, toda esta natura escolhida de acordo com as diversas características de compatibilidade, reprodutibilidade, fornecimento de fontes de alimentação, eficiência de produção de oxigénio, etc.. Os pássaros voam livremente dentro deste hotel e as tulipas não morrem lentamente em jarras de cristal.
Esta estrutura futurista destaca-se pela autonomia, ou, como diz Alexander Remizov, do Remistudio, ao Daily Mail, pelo “sistema de suporte de vida independente”, garantindo aos seus “hóspedes” sobreviver (viver) a bordo durante meses seguidos. Talvez tempo suficiente para os presentes tempos.

ark hotel barco
ark hotel barco
ark hotel barco

De preferência, que não tenhamos a necessidade de colocar o pé nesta apetecível e pacífica arca, mas, de qualquer forma, é bom saber que temos um poiso na praticamente inevitável curva exponencial de suicídio colectivo. A tomada de consciência ou foi ontem, ou não foi. E não nos enganemos mais. Não é catastrofismo, é o tapete encardido que estendemos para nós próprios. Cada um de nós, mea culpa.

Por fim – enquanto nada de definitivo resulta das nossas acções para pacificar a relação com o único habitat que temos, há que encontrar soluções urgentes e simbióticas. Esta mini-utopia é uma manifestação de que é possível coexistirem humanos e restante natureza no mesmo planeta. O exemplo é excelente – eco-friendly é possível. Felizmente, temos “hotéis-arca”: um sítio agradável para passar as mais longas férias da história da humanidade. 

Todos a bordo!

Gozo Sonhando_-_Ricardo Reis


Gozo sonhado é gozo, ainda que em sonho.
Nós o que nos supomos nos fazemos,
Se com atenta mente 
Resistirmos em crê-lo.
Não, pois, meu modo de pensar nas coisas,
Nos seres e no fado me consumo. 
Para mim crio tanto
Quanto para mim crio
. Fora de mim, alheio ao em que penso,
O Fado cumpre-se. Porém eu me cumpro 
Segundo o âmbito breve 
Do que de meu me é dado.


Odes De Ricardo Reis
Ricardo Reis



Líder do gang que torturava rivais com cebolas foi barbaramente torturado por gang rival com o uso de brócolos e couve-flor




O líder de um gang mexicano que faz tráfico de droga, de armas, de singles em vinil do “ Cavalos de Corrida” dos UHF e de memorabilia do Passeio dos Alegres, de Júlio Isidro, tortura os elementos de bandos rivais com cebolas, sendo uma mistura de Dexter com Maria de Lurdes Modesto.
Porém, os líderes dos gangs rivais vingaram-se e raptaram o psicopata gastronómico, torturando-o barbaramente durante 15 dias. No brutal espancamento foram usados brócolos, raminhos de salsa e caldos de galinha Knorr. O ritual de tortura atingiu um horror inimaginável, com instrumentos atrozes saídos das masmorras da Inquisição Espanhola: tomates, pepinos, beringelas, cenouras, folhas de louro, molhos de coentros, nabos, alfaces, rúcula, couve-flor, aboborinhas pequenas, pimentos vermelhos, pimentos verdes, aipo picado, agrião sem caules e molho vinagrete! A crueldade humana não cessa de nos espantar. A.M

Andreas Verheijen_-_"engenheiro das flores"

Antúrios, gerberas, girassóis e margaridas. Lírio-do-amazonas, da-chuva e tigrado. Hortênsias, junquilhos e cravos. Gramas, musgos, galhos e ramos. Quiçá um pedaço de arame para, em mãos encantadas, revelar o segredo que une flores, homens e cores. A botânica sui generis de Andreas Verheijen.



Andreas Verheijen esculpe plantas e flores com a mesma maestria com que o artista lavra estátuas em mármore, pedra ou madeira. Conhecido como "engenheiro das flores", trabalhou durante 15 anos no Harrods Flower Department em Londres, cidade onde manteve também a sua floricultura.
Quem conhece a sua origem não se surpreende que os caminhos da vida o tenham levado a trabalhar na área da botânica. Nasceu e foi criado em Zundert, uma cidade da província de Brabante do Norte, nos Países Baixos. É um dos municípios com maior participação na agricultura do país e berço do desfile de flores mais antigo, exuberante e singular da Europa.
Existe um ditado que diz que um dos maiores presentes ou recompensas de lidar com a flora é a restauração dos cinco sentidos. Entretanto, o trabalho de Andreas transborda no visual. A sua escolha é feita com cuidado e se fundamenta nos motivos do fim que se quer obter. Ele revela a beleza da forma desde as flores populares até as mais nobres, incluindo também musgos, palmeiras, galhos, gravetos e frutas ornamentais.

andreas verheijen engenheiro flores
Em suas mãos vemos nascer arranjos inusitados em vasos de porcelana, troféus e taças. Arbustos e plantas são esculpidos em formas geométricas e animais. Ornamentos etéreos para a cabeça e o espírito. Montagens delicadas e grandiosas em urnas. Intervenções que consistem no conhecimento de técnicas de jardinagem, como o cultivo das plantas e, particularmente, as podas. Sem mencionar o conhecimento sobre os detalhes da arte e da estética.
O uso das cores é outra parte fundamental na sua rotina de trabalho. E ele sabe como destacá-las em seu habitat. O frescor e brilho do verde no musgo e nas folhagens. A explosão de vermelhos e rosas. A fluorescência de amarelos e laranjas. A linguagem das cores é tão dinâmica e forte que, por um momento, nos indagamos se não estamos diante de uma ilustração ou qualquer realização cinematográfica extravagante. De maneira equivocada.
Atualmente, Andreas trabalha como designer de flores para o Dutch Flower Council, e realiza eventos e exposições em que demonstra e ensina a sua técnica e estilo particulares para uma platéia volumosa de olhos bem abertos.

andreas verheijen engenheiro flores